Análise genética dos pergaminhos de Qumran ajuda sua recomposição

Os pergaminhos de Qumran, as cópias mais antigas dos livros do Antigo Testamento estão divididos em 25.000 fragmentos, cuja recomposição parece uma empresa impossível. Mas pesquisas realizadas pela Universidade de Tel Aviv em colaboração com a Israel Antiquities Authority, durante sete anos, através da análise do DNA da pele animal dos manuscritos, levaram a algumas descobertas que vão providenciar uma ajuda importante para vencer esse desafio.

BEATRIZ RIESTRA
Autoridade de Antiguidades de Israel
“Analisei 26 amostras provenientes de 13 diferentes manuscritos com dois principais objetivos, sendo o primeiro a extração do antigo DNA da pele para individuar a qual animal pertencia e o segundo responder uma série de perguntas relacionadas com o texto presente na pele.”

Oitenta por cento dos textos está escrito sobre pele animal, o resto sobre pergaminho. O manuscrito mais antigo remonta ao terceiro século antes de Cristo, o mais recente ao primeiro século depois de Cristo. A maioria está escrita em língua hebraica, enquanto uma pequena parte em aramaico e grego.

BEATRIZ RIESTRA
Autoridade de Antiguidades de Israel
“O resultado principal dessa pesquisa é que a maioria dos manuscritos analisados foram escritos sobre pele de ovelha com exceção de dois fragmentos escritos sobre pele de vaca. Antigamente se acreditava que um desses dois fragmentos pertencesse a um manuscrito, que agora se descobriu ter sido escrito sobre pele de ovelha. O fato de que se trate de dois animais diferentes negou portanto essa possibilidade.”

Esses dois fragmentos contêm partes do texto do livro de Jeremias que são diferentes do texto da Bíblia que conhecemos hoje. Provavelmente o motivo é que foram trazidos para Qumran de um lugar diferente do país. De fato as vacas não viviam no deserto.

O fato de que os manuscritos descobertos em Qumran provenham de áreas do país diferentes pode ter relação com a cultura hebraica da época. Os pesquisadores acreditam de fato que na época do Segundo Templo e do nascimento da cristandade estivesse em andamento um debate dentro do variado mundo hebraico em relação à necessidade de se adotar uma correta interpretação dos livros da Bíblia antes que se avaliar o texto ao pé da letra.

BEATRIZ RIESTRA
Autoridade de Antiguidades de Israel
“Existem duas versões de Jeremias: o texto tradicional que é o texto hebraico do antigo testamento preservado até hoje e o texto da tradução “dos Setenta” que começou no terceiro século antes de Cristo em Alexandria e foi sucessivamente adotada pela Igreja. O fato de que numa parte dos textos originais faltassem alguns versículos não chamou a atenção dos autores dessa segunda versão: aquilo que eles achavam importante era de fato a interpretação e a mensagem, não a forma textual precisa.”

Os manuscritos se encontram hoje nas mesmas condições em que foram descobertos nas grutas dois mil anos atrás. Prosseguem os esforços, em colaboração com os especialistas da Universidade estadunidense do Kentucky, para usar nas pesquisas a especial técnica de fotografia multispectral, que permite a leitura dos manuscritos fechados e carbonizados sem abri-los.

Para cerca de 900 pergaminhos de Qumran, contudo, permanece o enorme desafio de ordenar e recompor os fragmentos, não apenas para alcançar um melhor conhecimento da história, mas também da Bíblia.

Produzido por CMC

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